Ritalina, um estimulante genocida?

Nosso país é o vice campeão mundial (atrás apenas dos EUA) no consumo da ritalina, medicamento utilizado nos pacientes com diagnóstico de TDAH – transtorno de defict de atenção. A pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do departamento de pediatria da faculdade de ciências médicas da Unicamp, em entrevista concedida no dia 05/08/2013, disponibilizada no site www.unicamp.br, explica que a ritalina age como um estimulante do sistema nervoso central, com o mesmo mecanismo de ação das anfetaminas e da cocaína.

Charge Ritalina por Benett

Charge Ritalina por Benett

Ela aumenta a concentração do neurotransmissor associado ao prazer, a dopamina, e quando passa o efeito, a única coisa que acalma é outro comprimido, estabelecendo a clássica dependência química. Os sintomas colaterais vão desde surtos de insônia, sonolência, piora na atenção e cognição, surtos psicóticos, alucinações, boca seca, falta de apetite, diminuição do crescimento e até o risco do suicídio. Será que vale a pena pagar este preço?A pediatra diz que, se não indicaria esta droga para um neto seu também não a indicaria para nenhuma outra criança. Ela questiona inclusive os benefícios e os resultados de seu uso para o tratamento de TDAH. Também constata que a grande maioria das crianças medicadas não tem um diagnóstico feito com o devido rigor. Provavelmente estejam medicando muitas crianças questionadoras, que sonham e tem fantasias inquietantes, impedindo quimicamente a construção de futuros diferentes ou melhores, e com isto, como disse um psiquiatra uruguaio, “a gente corre o risco de estar fazendo um genocídio do futuro”.

Por outro lado, parece que estamos vivendo uma era de transtornos comportamentais. O que fazer, administrar indiscriminadamente psicotrópicos para uma criança é a melhor solução?

Ao contrário, pude perceber, em minha experiência profissional como psicanalista no IBCP, que a medicalização pode esconder a verdadeira razão do mau comportamento infantil. E ao deixar a criança “dopada”, ela elimina o movimento dos pais em tentar buscar ajuda para solucionar o sintoma da criança que no fim envolve toda a dinâmica familiar.

Perder a “mão” na educação dos filhos é mais comum do que se imagina. Faz parte também o fracasso em alguns aspectos. Então por que, aquilo que é comum está virando uma patologia epidemiológica? Por que o diagnóstico TDAH invade estes casos comuns?

ritalina

Reflexões como estas poderiam ser feitas por aqueles que percebem suas dificuldades em lidar com as atitudes de seus filhos.
A psicanálise propõe aos pais que invistam no caminho introspectivo da análise, para que a saúde possa ser cultivada de dentro pra fora, num processo de autoconhecimento e de responsabilidade com o futuro da criação e da construção, futuro onde seus filhos possam ser os mentores da consciência do bem e da sustentabilidade.

Glaucia Araujo
Psicanalista e Psicoembrióloga

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