A Vida que se segue…

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Há momentos em que um minuto de silêncio pode parecer o som da eternidade.

Buscar palavras que traduzam nossas emoções, talvez seria o mesmo que habitar no impossível.

Palavras que de fato possam expressar os sentimentos vivenciados no agora de impacto, faz com que percebamos de maneira tênue, o quanto elas fogem, voam para longe… como a esperança do novo para estes jovens atletas, jornalistas e de todos os que decolaram em busca de seus sonhos.

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Atônitos buscamos respostas, sinais ou algo que nos dê uma direção e força para seguir o amanhã.
Queremos entender o que nos cerca e o que nos leva… o que nos rouba o tempo.
No entanto, talvez o que nos caiba, seja o vislumbrar com afeto e o acolher das lágrimas que correm dos que aqui ficaram na espera de uma volta triunfante com gosto de vitória.

Olhemos com respeito a cada um desses homens, mulheres e crianças que inundados de sentimento perderam de maneira inesperada e prematura seus entes queridos.
E que se por acaso, surgir à vontade também de ir se embora, que ela se transforme na Calma e na Paz que todos merecem.
Que todos aqueles nomes sejam pronunciados como sempre foram, com doçura, amor e fé no futuro, mesmo que hoje estejam pincelados de leve com traços de sombra ou tristeza.
Pois a vida que se segue nos pede com clemência que sintamos dentro de nós um coração que bate em ritmo de saudade.

Torcedores acenderam velas para a Chapecoense no estádio Atanasio Girardot em Medellin, na Colômbia - LUIS ACOSTA / AFP
Torcedores acenderam velas para a Chapecoense no estádio Atanasio Girardot em Medellin, na Colômbia – LUIS ACOSTA / AFP

Enfim, acreditem que cada uma dessas almas abatidas tão bruscamente, sobrevive na menor das células de seus familiares e em cada pequeno registro do DNA de seus descendentes.
Sobrevivam as memórias, os sonhos e os desejos de felicidade.
Como a roda da vida que em ciclos se renova e se encerra.

Por fim, citaria em poesia a vida que assim continua:

“Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre.
Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida. ”
Fernando Pessoa

Claudia Andriolli

Psicanalista e Psicoembrióloga

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