Aniversário de Françoise Dolto

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Por Márcia Moreira | Psicanalista e Psicoembrióloga

No dia 6 de novembro de 1908 comemora-se o nascimento de Françoise Dolto, quarta filha de sete irmãos. Sua infância foi marcada por vários conflitos individuais e familiares: como por exemplo a insatisfação com a sua aparência.

Teve uma educação religiosa, severa, repressiva típica de famílias tradicionais francesas da época. Ela tinha um tutor que dava aulas em casa.

A infância difícil de Dolto serviu de inspiração para sua escolha profissional, queria ser médica, achava que podia contribuir para que as crianças tivessem menos conflitos como ela teve. Com a perda da irmã, a mãe a culpou de não ter rezado o suficiente para salvá-la. Este episódio trouxe para Dolto, a crença de que poderia ter feito algo pela irmã. O que nos leva a pensar ter sido este fato determinante para a escolha da medicina.

Ela cursou enfermagem e seguiu para medicina com especialidade em pediatria, já com a convicção de ser uma pediatra com um olhar inovador.

Em 1938, deu início à sua jornada na psicanálise. Foi considerada, junto com seu melhor amigo Jacques Lacan, a segunda grande personalidade do freudismo francês.

Seus primeiros atendimentos foram destinados a adultos neuróticos desempregados em tratamento em manicômios. Desta experiência trouxe o método de profilaxia infantil, ou seja, desde a vida fetal o ser humano funciona como uma esponja da comunicação, traduzindo em palavras para o bebê, as suas emoções, seus sentimentos, introduzindo-o no processo humano da linguagem. Daí a importância dos pais conversarem com o bebê.

Dolto, através da observação, percebe que os sintomas eram perguntas sem respostas, mensagens incompreendidas, cheias de mal-entendidos, sem clareza dos fatos. Ela implementa no atendimento pediátrico a escuta e a informação, descrevendo qual tratamento iria realizar. Sua clientela era formada por crianças fóbicas, enuréticas, doentes ou alunos com dificuldade de aprendizagem.

Nas entrevistas com os pais detectava a origem das neuroses infantis e as relações com a família.

Segundo Dolto (1988), a primeira entrevista deveria ser realizada com a mãe ou com os pais acompanhados da criança. A orientação era enquanto ocorria a

entrevista, a criança fizesse um desenho ou outro trabalho, sendo observada por Dolto para posteriormente conversar com esta criança sobre o seu desenho.

Partindo do princípio de que todos os adultos foram crianças um dia, a psicanálise propõe por meio da análise a volta à infância e a construção, por exemplo desta linguagem que por circunstâncias desconhecidas não foi dita com a clareza devida. A psicanálise e seu método próprio de livre associação de ideias é uma ferramenta que poderá ajudar no processo desta construção e trazer à tona um sujeito dono da sua verdadeira história desde a sua origem.

Fonte http://pepsic.bvsalud.org/scielo.

 

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