Adolescência

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É comum escutarmos pais e professores se referirem à adolescência como um período árduo, no qual os jovens se rebelam e se transformam em criaturas difíceis. São bagunceiros, indisciplinados, falam pouco e estão sempre criando situações de embate com seus responsáveis. No entanto, cabe a pergunta: será que as pessoas conhecem de fato essa fase, a adolescência?

Dentro de uma família, ela não tem data marcada de início. Não é uma chave, que pode ser virada e pronto. Não, não funciona assim. Durante o crescimento da criança, é esperado que os pais encontrem uma maneira de lidar com o filho. Quando esta criança entra no período da adolescência, seu cérebro também amplia suas conexões neurais, e o agora adolescente começa a desenvolver seus próprios pontos de vista. A criança, naturalmente, pensa diferente do adolescente. Esta transição ocorre aos poucos na rotina do jovem, e muitas vezes passa imperceptível para os adultos próximos.

Como está em um período de transição para a idade adulta, o adolescente começa a exercitar sua independência e sua autoafirmação. Nesta fase, ele busca se inserir e ser aceito em um grupo de sua escolha, e também começa a vivenciar conflitos entre valores passados pela família e os próprios impulsos. Neste momento é natural um distanciamento maior dos pais. Ele começa a formar sua própria opinião sobre vários assuntos, e isto é bom, pois ele está se preparando para a vida adulta, e, nesta fase, é fundamental expor sua opinião e exercitar sua tomada de decisões. Tudo isto é muito positivo, porém, há também o lado “ruim”. As opiniões dos adolescentes muitas vezes são diferentes das de seus pais, e embates podem ocorrer.

Cada adolescente traz consigo uma experiência de vida. Sua verdade, neste momento, será alicerçada nesta bagagem. Daí a importância dos adultos não quererem impor uma verdade, mas sim apresentar argumentos para que o adolescente pense sobre o assunto, e, a partir dessa reflexão, possa formar uma opinião. Dessa maneira, será a opinião dele, não a imposta por alguém, já que agora ele não é mais criança e a maneira de lidar com ele também deve sofrer mudanças. Muitos pais tratam seus filhos adolescentes como se fossem verdadeiras crianças. Para se criar adultos fortes – psiquicamente falando – é importante impor limites, para os filhos vivenciarem frustrações e reconhecerem a autoridade dos pais, pois, na vida adulta, há regras e horários a serem cumpridos, líderes a serem seguidos, e, se os filhos não vivenciarem desta maneira, podem tornar-se adultos que não se estabilizam em empregos, não firmam relações, e não cuidam de sua saúde financeira.

A Psicanálise muito pode contribuir nesta fase da adolescência, tanto para os jovens, ajudando-os a compreenderem suas forças inconscientes que afetam suas emoções e comportamentos, quanto para os pais, a descobrirem como agem nas tratativas com seus filhos. Muitas vezes, nesse caminho, a Psicanálise trilha justamente pelo autoconhecimento, indo em direção à Vida e à Prosperidade, e, sempre, com base na escolha do paciente.

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