A avó gestando os netos

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por Sonia Paschoalique | Psicanalista e Psicoembrióloga

Com o aprimoramento da ultrassonografia à partir do final da década de 60, a ciência pode saber muito mais sobre o bebê dentro da barriga da mãe do que sabia antes, desde o tamanho e qualidade dos órgãos, até as expressões corporais.

Hoje sabemos, também, que o bebê recebe todas as emoções maternas juntamente com outros nutrientes, através de micropartículas de hormônios produzidos por essas emoções, contribuindo para possíveis registros de sentimentos que, quando adulto, poderá não saber explicar. Se voltarmos mais um pouco, esse bebê dentro da barriga da mãe também carregará as sensações que foram da sua avó materna, já que ele esteve um dia, na barriga dessa avó, na forma de um dos óvulos, que um dia mais tarde foi fecundado dentro de sua mãe, dando origem a ele.

 Existe, portanto, um fio de luz que une essas três pessoas: avó materna, mãe e filho. A avó gestando a filha com os óvulos que darão origem ao neto!

Os óvulos em um feto feminino, são formados a partir do seu terceiro mês de gestação e, portanto, todos os indivíduos já estiveram no ventre de suas avós maternas. Dessa forma, podemos dizer então, que as sensações e sentimentos dessa avó também poderão influenciar na personalidade de sua filha, assim como na dos netos.

Toda a energia vivenciada pela mãe passa para o feto. Se essa energia for de amor, alegria e carinho, é isso que o bebê, ainda no ventre, receberá. Porém, se for uma energia de rejeição, mágoa ou tristeza, ele também a receberá e esses sentimentos poderão gerar possíveis traumas em um futuro próximo.

A herança biológica é transmitida por meio de vários fatores além dos nutrientes que o feto recebe pelo cordão umbilical. A percepção de mundo adquirida através da vivência da mãe e também da avó, terá grande influência na energia do bebê e na sua interação com o ambiente, seja o aquático, ainda dentro do útero, ou o aéreo depois do nascimento.

Assim, quantas lutas e desafios, aqueles que vieram antes não enfrentaram? Teriam sido tempos mais fáceis ou mais difíceis aqueles vividos pelas avós? A resposta não importa, uma vez que a natureza humana desde sempre necessitou de cuidados próprios, isto é, o bebê humano sempre dependeu de alguém que o acolhesse e o acalentasse, para que sentisse um mínimo de segurança.

Como as avós percebiam o momento em que viviam? Alegrias e tristezas, dificuldades e superações frente às pelejas da vida? Esses sentimentos produziram hormônios como adrenalina e serotonina por exemplo, assim como crenças, limitantes ou não, independente da época ou lugar geográfico que tenham vivido.

Essas sensações e sentimentos foram transmitidas ao óvulo daquele  bebê mulher que ainda estava no ventre da mãe; futuramente esse bebê adulto, durante a gravidez, também irradiará as sensações e sentimentos das suas próprias percepções juntamente com as daquelas que vieram antes. O saber “quem sou eu” vai muito além do que se pode vivenciar em uma geração e a psicanálise constitui uma excelente ferramenta que propicia, de maneira única e singular, o conhecimento de si mesmo.

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