Grandes Mulheres: a importância de Melanie Klein

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por Sonia Paschoalique | Psicanalista e Psicoembrióloga

Nascida em 30 de março de 1882 em Viena, Áustria, Melanie Reizes é a quarta filha de uma família judia. A menina cresceu em um lar com uma mãe autoritária e um pai com o qual tinha pouco contato – este trabalhava em dois empregos. Dos quatro irmãos, Emilie, a mais velha, era a predileta do pai; Emmanuel, o mais inteligente, Sidonie a mais linda da família e Melanie, mesmo sendo a preferida da mãe, chegou a ouvir dela que não fora desejada. Uma família que sofreu perdas irreparáveis entre 1887 e 1902: Sidonie, morreu de tuberculose, o pai de Melanie, de pneumonia e seu irmão, Emmanuel, de cardiopatia.

Uma jovem estudiosa que tinha o sonho de fazer medicina em uma época na qual à mulher cabia apenas os cuidados do lar e da família. No entanto, aos 21 anos, deixou o sonho de lado, por causa das dificuldades financeiras da família, casando-se com Arthur Klein, um grande amigo de seu querido e saudoso irmão. Desse casamento, marcado por vários momentos de melancolia, depressão e até ausências nasceram três filhos. Durante esse período, por conta de seus tratamentos prolongados, muitas vezes Melanie teve que contar com a ajuda da mãe que rapidamente tomava as rédeas da rotina dessa família.

Ao final de 1914, após a morte da mãe, teve acesso à obra de Freud “Sobre os Sonhos” e viu, na Psicanálise, a oportunidade de amenizar a dor da perda dos seus entes queridos e dos momentos de profunda depressão, buscando o entendimento e a própria cura.

Assim, durante cinco anos, incentivada por seu psicanalista Sandor Ferenczi, aproveitou o conhecimento adquirido com sua análise da obra e fez um trabalho de observação do seu segundo filho, Hans – este com inibição intelectual – concluindo como seria criar uma criança apreciando o olhar da psicanálise para alguém com essa especificidade.

Esse trabalho, fundamentado no tratamento de Hans, apresentado à Sociedade Psicanalista de Budapeste, como Fritz, lançou Melanie Klein na sociedade húngara de Psicanálise, formada, em sua grande maioria, por homens com títulos acadêmicos os quais ela não possuía, sendo contestada inúmeras vezes por esse fato.

Dois anos depois, muda-se para Berlim por causa da perseguição antissemita, abre seu consultório de atendimento psicanalítico e passa a atender crianças, inclusive filhos de colegas psicanalistas, fazendo uso de brinquedos e outros materiais lúdicos, observando-as expressarem seus conflitos através da brincadeira, substituindo a palavra pelo brincar e dando autonomia para a criança manifestar-se livremente, acreditando em uma ação psíquica até antes mesmo do nascimento.

Mudou-se para a Inglaterra em 1926 onde foi recebida com muito respeito e curiosidade pelos seus artigos, provocando, ao mesmo tempo, paixão e oposição diante de suas colocações a respeito da psiquê humana.

Em 1932, lança sua grande obra “Psicanálise da Criança”, até hoje considerada básica para o atendimento infantil, que explora o inconsciente da criança de maneira singular e complexa ao mesmo tempo. No tratamento Kleiniano, a mãe é a peça principal para o desenvolvimento do filho e o vínculo que se forma desde a gravidez refletirá em todas as futuras relações daquele bebê.

Melanie Klein uma mulher à frente do seu tempo, vem a falecer, em 1960, em Londres, aos 78 anos, deixando uma vasta obra onde aprofunda os valiosos conceitos psicanalíticos de Sigmund Freud.

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