Nossa jornada, capítulos de um livro chamado Vida

por

Elizabete Ruivo | Psicanalista

Uma página escrita é um pulsar lento ou acelerado de um coração que sente e de uma mente que procura e nem sempre entende as emoções que tem.

Escreve-se a concepção, sempre gloriosa, ainda que desejada ou não. Cada centímetro acrescido àquele embrião é uma vitória inconsciente aos desafios que virão.

Os dias sucedem às noites, corpo e mente se completam: está pronto para nascer.

Sentir a vida por si mesmo, os braços que acolhem, a voz que acaricia, o seio que nutre, os olhos que refletem, o amor está no ar.

Engatinhar, ficar em pé, dar os primeiros passos, correr, sorrir, cair, chorar, tirar de letra, levantar ou correr para os braços de quem o acolhe, para enxugar as lágrimas ou simplesmente ouvir – Isso passa – e perceber que passa mesmo, um pouco de dor, é claro, mas tudo passa!

Ir à escola, fazer amigos e inimigos, porque não? Somos iguais, porém, tão diferentes. Perceber nos professores o esforço, a dedicação, a paciência ao lidar com as diferenças e responsabilidade de nos ensinar.

Ir ao encontro, quem sabe da alma gêmea, da princesa ou príncipe encantado ou simplesmente daquele ou daquela que nos complete, que nos instigue a sair da zona de conforto, que extraia de nós o gérmen de tantas coisas a serem reveladas para percebermos que para sempre é só em contos de fadas, conviver é se transformar.

Trabalho, autonomia, responsabilidade, meio de vida, sonhos planejados, realizados, engavetados e às vezes pesadelos sem o zelo e a delicadeza do amor, mesmo assim é vida!

Família construída? Nem sempre. As exigências pessoais influenciam na tomada de decisão a ponto de não se arriscar na companhia de um príncipe com medo que vire um sapo e nem com um sapo com medo que não vire um príncipe, ou pura e simples optar pela solidão.

Meia idade, o que foi feito destas experiências tatuadas na alma? Destes capítulos escritos, pensados, sentidos e jamais reescritos? De quem foram as escolhas inconscientes? De cada um racionalmente? Da sociedade onde se vive? Dos desejos irrealizados paternos e maternos? Quem é o sujeito desta história? Será que só porque se pensa, existe de forma plena? Qual é o caminho a seguir?

Na trajetória de cada um, o balanço a cada ciclo que se encerra, o repensar valores, onde se exige uma só direção: o caminho de volta a si mesmo. Palavra-chave: coragem para resignificar as experiências vividas plenamente ou não.

O livro esta sendo escrito, capítulo após capítulo. Assim como o ano 2020 sucede 2019, a nossa história se repete com outro colorido. E sorrateiramente traz esperança e oportunidade de reviver nossa história e acolher o novo ano com mais segurança e sínteses de antigas ações aprendidas, apreendidas e resignificadas das lições refletidas do ano anterior.

Perceber o fio que nos une a tudo e a todos é se sentir sobre um campo fértil, é solidificar esta unidade durante o ano que se inicia, com mais sabedoria, equilíbrio e cooperação.

Querer é poder, é ter coragem, agir com a mente e o coração em consonância, é compartilhar o espaço que nós, do IBCP, oferecemos com carinho e muita gratidão desejando que o Ano Novo, 2020 nasça nos oferecendo o que precisamos e dando a ele o melhor de nós mesmos.

Eu, Elizabete Ruivo, e todos do IBCP desejamos um ótimo Natal e boas festas!

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