Saúde financeira: como lidar com o consumismo?

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Por Eduardo Silva | Psicanalista

Você já deve ter ouvido falar do termo “sociedade de consumo”! Mas o que isso quer dizer? O que você e eu temos a ver com isso?

Nossa sociedade moderna se caracteriza pelo consumo massivo de bens e serviços que são produzidos em larga escala ou em escala industrial. Nem sempre foi assim, só em meados do Séc. XVIII, com o início da revolução industrial, essa nova forma de produzir e comercializar ganha novos contornos impactando diretamente os hábitos de consumo. Hoje com a internet, esse impacto é ainda maior e globalizado.

Pare alguns segundos e pense em tudo o que você deseja consumir, comprar, possuir… Pensou?

Quero destacar a palavra “desejo”. Existe aquilo que consumimos por necessidade e aquilo que consumimos pela via do desejo. O que você pensou na provocação que fiz tem a ver com necessidade ou desejo?

Não quer dizer que não possamos ter desejos e tentar satisfazê-los. Aliás anular os desejos não é saudável, a questão é como lidamos com eles.

Em nossa sociedade, para que a economia se movimente é necessário que haja consumo, isso nos é colocado quase que como um imperativo. Mas nem sempre o que nos é apresentado, é um gênero de primeira necessidade mas sim, um “sonho de consumo”, sonho que necessariamente não era nosso ou que atenda a uma necessidade vital.

A sociedade de consumo, por meio da publicidade, por exemplo, insiste em que tenhamos mais do que possamos consumir e a desejar mais do que podemos conquistar (dependendo do produto).

Temos assim um desequilíbrio entre necessidade e desejo, não que o desejo seja ruim como já dito anteriormente, mas sim o seu excesso. Temos ainda um outro elemento que é a marca, a “griffe”: o mesmo item de um determinado fabricante ou produtor que pode fazer com que o valor final seja dez vezes, vinte vezes maior, só em função da marca.

Vejamos alguns exemplos cotidianos:

Alimentação  X   Alimentação orgânica, vegana, enriquecida, enfim diferenciada

Restaurante   X   Restaurante do premiado chefe fulano de tal

Roupas           X   Marcas famosas

Moradia          X   Morar em um empreendimento diferenciado

Celular            X   A marca e o modelo “TOP” de Mercado

Mas será que precisamos ter o melhor o mais caro, o último lançamento?

O que isso representa em nosso orçamento?

Que outro destino esse recurso poderia ter?

Por fim, se eu não quiser comprar, ou não optar por determinada marca e modelo, ou se eu adiar a compra, como me sinto?

FREUD afirmou que ”o homem não é senhor em sua própria casa” se referindo a processos inconscientes que o sobre determinam. O desejo de comprar/consumir pode ser um desses processos que nos impulsionam, não conseguimos nos conter e nem nos damos conta disso.

Podemos sofrer por que cedemos aos nossos desejo de maneira incontida, ou por que não conseguimos ter aquilo que desejamos. Ou ainda, ao obtermos aquilo que tanto desejamos, não ficamos satisfeitos.

Quando não se encontra a satisfação ou ela é momentânea, vem a frustração e novamente elegemos um novo objeto de desejo para nos “satisfazer”.

Isso leva a círculo vicioso.

Por vezes, querer ter, ou o prazer de comprar, pode estar ligado a demandas que não estão claras para nós mesmos. Por exemplo: o desejo de reconhecimento, de pertencimento, de aceitação ou mesmo para “melhorar” a autoestima, ou ainda como forma de aplacar a ansiedade que nos afeta.

A “sociedade de consumo” encontra em nós um terreno fértil para fomentar estes processos. Conhece bem como funcionam esses mecanismos em seu público alvo.

Mas não somos inocentes, nem tampouco vítimas, estamos implicados nesse processo, ainda que de maneira inconsciente.

A pergunta que fica é:

CONSUMIMOS OU SOMOS CONSUMIDOS?

POSSUÍMOS OU SOMOS POSSUÍDOS?

Portanto, estes processos tanto podem comprometer nosso orçamento quanto nos fazer adoecer em uma busca incessante por algo que nos escapa.

A fragilidade dos laços sociais na atualidade tem gerado compulsões e desamparo que não encontrarão solução no consumismo desenfreado. Pelo contrário podem agravar ainda mais a vida emocional e financeira.

O cuidado de si, o conhecimento de nós mesmos e de como lidamos com nossas demandas, é fundamental para termos saúde financeira e não sermos escravos dessa tal “sociedade de consumo”.

A psicanálise pode ser um dos caminhos para a libertação de processos que minam a sua saúde financeira e emocional.

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