Psicanálise: da teoria ao legado de Freud

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por Iara Solange | Psicanalista

O termo psicanálise foi criado no final do séc. XIX pelo médico austríaco Sigmund Freud, quando buscava uma resposta para o tratamento de pessoas portadoras de distúrbios psíquicos. Partindo da sua experiência com pacientes histéricas, ele foi aprofundando seus estudos sobre os processos mentais e, ao longo de sua vida, baseado em seus atendimentos clínicos e em sua própria autoanálise, desenvolveu o que conhecemos hoje como Teoria Psicanalítica.

A partir da observação de seus pacientes durante as sessões de análise, Freud percebeu que a mente humana não poderia ser composta apenas da parte consciente, passível de controle, mas que existiam outras regiões no psiquismo humano onde ficavam armazenadas as informações que não eram acessadas pelo consciente, as que chamou, depois, de pré-consciente e inconsciente.

Essa teoria foi sendo construída, pelo pai da Psicanálise, a partir da análise de casos como a histeria, por exemplo, através de algumas vivências nas quais os pacientes, mesmo não tendo lembranças, ainda assim, apresentavam reações físicas como paralisia de membros e cegueira. Freud percebeu, também, que algumas memórias e emoções surgiam sem que houvesse uma conexão com o assunto da sessão: palavras e nomes eram esquecidos ou trocados, sem que os pacientes conseguissem perceber ou explicar.

Dessa forma, de acordo com sua teoria, ao inconsciente pertence a maior parte do psiquismo humano. É onde ficam contidas as memórias ancestrais, emoções, sentimentos e desejos desde o início da vida, bem como as memórias de situações traumáticas ou emocionalmente intoleráveis, que podem ocorrer a qualquer tempo e que são enviadas para lá através de processos psíquicos de defesa. Para Freud, através dos sonhos, lapsos, chistes e atos falhos estes conteúdos encontram certa vazão, pois a não serem reconhecidos conscientemente, podem ser suportados.

No dia a dia, a ação do inconsciente acontece de forma involuntária e está presente em cada escolha: na forma de lidar com a vida financeira; com os relacionamentos pessoais; com as vitórias ou derrotas; na maneira de enfrentar e solucionar problemas; suportar frustrações ou estar com sensações inexplicáveis que causam algum tipo de estranheza.

Nesse sentido, o material inconscientizado guarda a mesma carga emocional do momento em que foi vivido pois o inconsciente é atemporal, uma vez que, ao retornar para a consciência, ainda que muito tempo depois da sua ocorrência, será igualmente intenso e carregado de afeto, porém deformado e disfarçado na forma de sintoma, podendo causar sofrimento, dor e limitações no cotidiano.

No processo psicanalítico, por meio da fala e da associação livre das palavras, o paciente tem a oportunidade de dar voz ao que não pode aparecer, mas que consome sua energia ao se manter oculto. Quando passa a se ouvir e a diminuir o uso dos processos de defesa, ele pode se reconhecer no que diz e enxergar a sua própria responsabilidade diante da sua dor. Pode ter uma maior percepção dos efeitos do sintoma na sua rotina diária e escolher, de forma consciente, como prefere lidar com ele.

Assim, é através do comprometimento do paciente consigo mesmo e seu tratamento, que se permite o contato com esse universo interno, desconhecido e/ou esquecido, possibilitando tornar consciente a ação do próprio inconsciente.

Portanto, a Psicanálise é uma ferramenta que, utilizada com verdadeiro respeito, ética e amor permite que o paciente possa se apropriar de sua história e seguir adiante em consonância com a Vida!

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