Será que dizemos sim verdadeiramente?

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Pare para pensar: quantas vezes você já disse sim por achar impossível dizer não? Ao aceitar um convite que te desagrada, emprestar um dinheiro contra a sua vontade ou realizar uma tarefa maçante a pedido de alguém, como você se sente?

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Geralmente , este “sim” vem seguido de arrependimento, incômodo e até raiva. Que “sim” é esse, que traz consigo este pacote tão pesado para carregar?
Se a intenção por traz deste “sim” é boa, por que normalmente nos sentimos mal com isso?

Claro, pensar em dizer não já nos remete a uma atitude pouco solidária, que provavelmente aborreceria a outra pessoa, causando prejuízos à relação e o consequente sentimento de culpa. Se o não é condenado o que nos resta é dizer “sim”.

Um “sim” entre aspas, que traduz um não censurado, reprimido e disfarçado. Um “sim” que não está acompanhado de aceitação, acolhimento e concordância.

O sim (sem aspas) é aquele que admite, que acolhe, que recebe. Recebe-se algo prazeroso e acima de tudo construtivo, por gerar um sentimento de gratidão e valorização da vida.

Sim e não como dois territórios vizinhos, entre os quais há uma fronteira, um limite. Como dois lados da mesma moeda, duas partes que formam o todo, portanto um só pode existir onde o outro puder existir também. Dizer sim ou não pode e deve ser uma questão de escolha pessoal.

Através da análise individual, a pessoa passa a reconhecer parâmetros internos e sua relação com os limites, para que sua escolha seja feita de forma prudente, sempre tendo em vista o processo de construção e de apreciação da vida.

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Reconhecer os próprios desejos permite ao indivíduo responder por seu posicionamento e optar de forma sensata, colocando o sentimento de culpa em uma outra perspectiva.
Ora, de que somos mais culpados: de honestamente esclarecer os limites da nossa disposição ou de escondê-los, oferecendo ao outro uma imagem enganosa de nós esmos?
Como disse Freud: “Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.”

Dentro de nossos limites somos livres para escolher, ao escolher, podemos ser honestos, ao ser honestos podemos ser leves, sendo leves, podemos ser gratos e a gratidão, quem sabe, possa nos trazer felicidade.

 

Wilson Buran – Psicanalista

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