Tudo passa, 2020 também!

por

por Elizabete Ruivo | Psicanalista

“Quando pior está a vida, vem-nos uma ideia idiota e antiga acreditar outra vez.” (Carlos Heitor Cony)



Assim são nossos dias, uma verdadeira caixa de Pandora onde a doença e a morte, fugindo dela, permearam nossa existência durante ano todo de 2020.


Mas, neste episódio mítico, algo permaneceu dentro da caixa: a Esperança, que até nossos dias é lembrada como sendo a última que morre. Junto à coragem, traz a chave para ser virada a cada pensamento, a cada situação, a cada notícia que nos entristece.


É esta dupla que nos acorda pelas manhãs e nos intui a sentir gratidão pela noite tranquila onde nem foi preciso ter o travesseiro como conselheiro; é ela que nos faz notar deslumbrante, os raios de sol permeando a natureza, ressaltando as próprias cores que a Mãe Terra criou; é a Esperança e a Coragem que nos faz perceber o trinar alegre dos poucos pássaros que ainda habitam as grandes cidades e até o barulho dos carros deslizando pelas ruas e avenidas, são inseridos nesta pulsão: É a vida!


Mas se não dermos atenção a elas, que moram em nós, projetamos no dia nublado a nossa própria tristeza; na chuva que cai, as nossas lágrimas, sem perceber que há um coração que bate intermitente, noite e dia, impulsionando esta dupla a nos dar o que se precisa para virar esta chave e abrir brechas no nosso desânimo para receber raios de sol, notas musicais, memórias de alegria, lembretes simples e profundos:
– Tudo passa! Está tudo certo.


Dos brilhos reluzentes das luzes natalinas e reais em 2019; dos pedidos de presentes solicitados pelos meninos e meninas ao Papai Noel, ou quem sabe, pela criança que habita cada um de nós, talvez o que tenha sido atendido subjetivamente foi a necessidade de compreendermos uns aos outros, pois é no recôndito de nossos lares que, sem cerimônia, exibimos as nossas sombras e revelamos os nossos amores.


Pandora atuando, ainda inocente, curiosa como uma criança, abre a caixa e o mundo ganhas dois, super potentes e invisíveis habitantes: a doença e a morte, mas esperta segura a Esperança que agindo com o coração faz com que a fé em 2021, seja plena em possibilidade, compreensão e discernimento para mudar o que for preciso e aceitar o que não nos é possível alterar.


Adaptarmos à nova realidade é apenas um exercício daquilo que experimentamos durante este ano que se finda, preparando-nos para o que ainda virá.


E com esta reflexão o IBCP agradece a disponibilidade que todos tiveram ao experimentar juntos os processos de atualização de procedimentos e a compreensão necessária para que continuem a fazer parte desta casa que pulsa VIDA.


Desejamos a todos Boas Festas e que cada um de nós possamos receber o ano de 2021 com Esperança e Coragem.

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