Um Homem chamado “Sigmund Freud”

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No dia 6 de maio de 1856, no império Austro-húngaro, cenário constante de guerras, um bebê sai do conforto da barriga de sua mãe em busca da luz rumo ao desconhecido, com uma grande força de vida. A ligação com sua mãe era singular, apesar da existência de seu pai e irmãos. Aos sete anos, essa criança inicia um mergulho nos estudos, buscando descobrir seus mais profundos sentimentos nos escritos de grandes autores, como Willian Shakespeare, cujas obras exploram a tragédia e o amor. Para continuar explorando profundamente o conteúdo destas e de outras obras, o jovem mergulha no aprendizado de novos idiomas como latim, inglês e espanhol, entre outros. E assim, inicia uma imersão no mundo subjetivo humano em busca de uma grande descoberta nos hospitais.

Decidiu estudar medicina e ao final do curso se especializou em fisioneurologia, direcionando-se para a pesquisa científica. Como na “Alegoria da caverna” de Platão, Freud tenta romper com a escuridão de um mundo fantasioso, numa caverna à procura do real na luz. A clínica médica não lhe desperta muitos interesses, por motivos financeiros e para conseguir viabilizar o casamento com Martha, com quem teve cinco filhos, Freud inicia o tratamento de mulheres histéricas, que eram tratadas nos hospitais como farsantes de uma doença, mas que traziam dentro delas dores e angústias. O olhar de Freud se volta, não somente para as mulheres histéricas, mas também para as mulheres de uma época, e com isso gera conflitos com a tradicional comunidade médica de Viena. Estava por vir uma grande descoberta.

Freud adota, no começo, a hipnose que o levaria a formular uma ideia de inconsciente, que não traria a cura para o mal da histeria ou outros sofrimentos. No entanto, aponta um caminho: o do retorno ao conhecido caminho da infância. Então, como um arqueólogo, Freud investe numa minuciosa investigação usando como ferramenta a linguagem e descobre peça por peça guardada no inconsciente, reconstruindo o interior humano e criando a “cura pela fala”. Suas teorias se desenham com o pincel da associação livre de ideias, com as falas de seus pacientes, tomando forma em suas próprias autoanálises traduzidas em sua linguagem escrita na forma de teorias, livros e cartas. As barreiras de seu próprio inconsciente são quebradas ao analisar seus sonhos, trazendo à tona descobertas sobre a natureza humana. Num resgate e valorização de seu pai, Freud formula o conceito “complexo de Édipo”.

Freud percebe que tudo isso não se tratava de uma descoberta científica, nem muito menos filosófica, pois se tentasse explicá-la de forma puramente racional, lógica ou médica, não levaria ao caminho da alma. Como em seu nascimento, ou como numa alegoria da caverna, Freud ilumina a humanidade com o que tinha dentro dele e dentro de todos nós e a isso chamou de psicanálise. Seu legado não foi somente sua extensa obra, nem a grande influência que teve no mundo, mas sim o caminho de luz e vida que podemos trilhar em nós mesmos.

Márcio Ferreira

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