O Não Falar Gera Dor

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Não verbalizar o que sentimos e permanecer em silêncio gera dor, desconforto e angústia, suscitando sintomas físicos como: insônia, dor de cabeça, sinusite, gastrite e dores musculares. Muitas vezes é difícil definir um incômodo que sentimos, mas sabemos que ele existe devido a sensação que permeia nosso interior e que nos diz que há “algo errado”.

Quando o corpo físico apresenta queixas é sinal de que o emocional está saturado: cheio de mágoas, medos e emoções presas. Muitos buscam curar os sintomas paliativamente, tratando apenas o físico, de modo que os sintomas retornam da mesma forma que apresentados anteriormente, ou podem aparecer deslocados, isto é, sob a forma de outros fenômenos.

A cura só é possível quando encontrada a causa, assim a psicanálise se apresenta como um caminho para se alcançar o bem-estar. No processo analítico é possível sanar o incômodo interno através da fala, ferramenta que permite o acesso ao inconsciente, um lugar repleto dos momentos vividos, mas que não é possível chegar a ele sozinho. Nele se encontra todas as informações capazes de explicar a existência desses incômodos. O caminho para o inconsciente necessita de direcionamento e auxílio, por isso o papel do psicanalista é fundamental, somente ele poderá dar toda a estrutura possível para seguir essa trilha sem se perder. E esse trajeto demanda tempo, pois primeiro é necessário o fortalecimento interno para encarar o que foi vivenciado até o momento, rememorar lembranças e experiências ruins que foram guardadas de maneira tão profunda para que suas memórias não machucassem mais.

The Thinking in Rodin Museum in Paris

O pensamento é repleto de armadilhas e defesas. Quando o sentir está dentro da mente, pode ser facilmente sabotado e enganado. É no ato da fala que o sentir sai, isto é, toma a forma da palavra e toma a força da voz. Ao verbalizar, esse sentir volta como um bumerangue e se desloca do pensamento. Quando falamos, nos ouvimos e assim podemos acessar o lugar da emoção em que o incômodo estava preso. Essa é uma jornada impressionante que permite nos conhecer cada vez mais, de maneira que se a dor voltar, conhecemos o caminho percorrido devido o trabalho de descoberta analítica. Esse aprendizado e amadurecimento faz parte do movimento de descoberta do Eu, do autoconhecimento e da libertação para uma nova consciência.

Juliana Campos
Psicanalista

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